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No Havaí, santista Fábio Paiva garante feito inédito na mais importante travessia de canoa havaiana do Mundo

ELE FEZ O "LEME IRON", OU SEJA, DURANTE TODA A PROVA ENTRE AS ILHAS

DE MOLOKAI E OAHU, TAREFA DEDICADA SÓ AOS NATIVOS E EXPERIENTES

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Pioneiro na canoagem oceânica brasileira e, sem dúvida, um dos grandes responsáveis pela chegada ao Brasil, crescimento e fortalecimento das canoas havaianas, o santista Fábio Paiva viveu um momento especial, marcante, emocionante, em sua vida. O local não poderia ser melhor, a travessia Molokai-Oahu Canoe Race, a maior, mais importante e famosa prova da modalidade, realizada anualmente no Havaí.

Pela primeira vez na história da prova, um brasileiro fez o leme (aquele quem dá direção à embarcação) e mais ainda, o chamado leme Iron, ou seja, sem revezamento, uma tarefa dedicada só aos nativos e canoístas com larga experiência. Fábio comandou uma equipe formada exclusivamente por brasileiros, entre paulistas e cariocas, formada para a disputa havaiana.

Foram mais de 120 canoas, mais de 1.000 atletas, atravessando as duas ilhas no meio do Pacífico, o arquipélago mais distante do continente no Mundo. "Só posso dizer que foi uma experiência inigualável. O pessoal vinha perguntar a toda hora quem seria o leme, pois essa travessia vira barco de apoio e o leme teria necessidade um cara local, acostumado com este tipo de mar, casca grossa", disse Fábio.

"Acabei fazendo o Iron, como eles dizem, sem revezar. Quando terminamos, eu saí da canoa, recebi os colares e fui caminhando por uns 15 minutos, sem destino, com o remo na mão. Deu um delírio", contou. "Foi emocionante. Tive muitos momentos de reflexão unidos com muita emoção", acrescentou.

Para ele, foi um sonho realizado. "Eu estava lá na competição que sempre sonhei. Aliás, foi devido a uma matéria desta mesma prova que me despertou a vontade de trazer as canoas para o meu País", revelou o canoísta, que iniciou o esporte no Brasil em 2001 e hoje conta com atletas em vários estados, até mesmo em locais distantes do mar, com Brasília e na Pororoca, no Pará.

"Um filminho passou com as inúmeras dificuldades, barreiras, as diversas vontades de desistir. Até sentira a satisfação dos 18 núcleos de canoas formados, as remadas da lua cheia, as competições, as aulas da terceira idade", argumentou o santista, que antes da canoa havaiana, foi pioneiro na canoagem oceânica no Brasil.

"A equipe formada de última hora foi sensacional. Estavam o Alessandro Matero, experiente atleta de provas de aventura, um parceirão e responsável pelo desenvolvimento na raia da USP; Cauê Serra, instrutor de canoa em Santos; Pedro Pedrosa e Paulo Cordeiro, responsáveis por toda a evolução do esporte no Rio de Janeiro; Vitor Marçal, um cara fantástico, grande e renomado life guard de North Shore, que nos ajudou muito para que tudo isso fosse possível da forma encaixada como foi; e mais três integrantes que conhecemos na véspera", relatou.

"Não trocaria aquela equipe por nada. Fantásticos. Cada um com a sua característica, que somando, resultava em uma grande satisfação de estar compartilhando cada momento daqueles. Principalmente, o pré-evento, o que daria para escreve um livro à parte", elogiou Fábio Paiva.

PROVA - Na travessia, os canoístas enfrentaram 75 km de percurso, com muitas ondas, mar mexido. Esta foi a primeira equipe brasileira (saída do Brasil para participar) na prova, pois todo ano há uma equipe com brasileiros que vivem no Havaí. "Posso dizer que cheguei a ficar um pouco intrigado, devido ao espanto geral quando dizíamos que o leme será um brasileiro. Na própria equipe de brasileiros que moram lá, o leme é havaiano", lembrou.

"Diziam que tinha de ser um nativo, conhecedor do canal, devido ao alto grau de dificuldade, principalmente quando souberam que seria Iron, ou seja, de ponta a ponta. Os 75 km de mar muito grande. Eu não perderia isso por nada. Queria aproveitar cada instante. Isto não tem preço e jamais esquecerei. A equipe compreendeu o quanto seria importante para mim e respeitou", relatou Fábio Paiva, em tom emocionado.

Na disputa deste ano, os taitianos foram os vencedores. Os estreantes brasileiros garantiram o 72º lugar. "Para ter um resultado expressivo, é necessário a equipe se conhecer muitíssimo bem, pois devido às grandes ondas, habilidade, sincronismo, estratégia, conjunto e trabalho em conjunto são fatores primordiais para um bom desempenho. Para nós, o grande resultado foi estar lá, viver tudo isso, curtir, realizar um sonho. Que resultado melhor poderíamos ter?", vibrou.

FABRICANTE OFICIAL - Fábio Paiva sempre foi um apaixonado por canoagem. Tanto que tem a maior fábrica de caiaques do Brasil, a Opium Fiberglass, responsável pela construção de mais de 15 mil embarcações, distribuídas em todo o País. Desde 2001, ele também constrói as coloridas canoas havaianas e, a partir de agora, passou a ser o representante oficial no Brasil da Outrigger Connection.

"É o melhor fabricante de canoas havaianas do Mundo e nos identificou como construtores de seus produtos no Brasil. Já assinamos contrato, aprendi toda a tecnológica trabalhando lá com eles e já trouxemos uma OC2 e uma OC1 para dar início", comentou Fábio.

"Isso abre novas portas em relação a intercâmbios, pois o meu principal objetivo é tornar a Volta à Ilha de Santo Amaro uma prova internacional", ressaltou o canoísta, referindo-se à prova que circunda a Ilha de Santo Amaro (Guarujá), com trechos de mar, rio e o Porto de Santos. "A próxima edição já está marcada para o aniversário de Santos, no dia 26 de janeiro de 2008, antes da Travessia Renata Agondi", completou Fábio Paiva.



   
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